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Chefão de LALIGA ‘alfineta’ presidente do Real e diz o que falta para Brasileirão virar referência: ‘Gigante acordado, mas…’

Chefão de LALIGA ‘alfineta’ presidente do Real e diz o que falta para Brasileirão virar referência: ‘Gigante acordado, mas…’


O que falta para o Brasileirão ganhar protagonismo entre os principais campeonatos do mundo? Se a resposta ainda não foi alcançada por quem vive aqui, a principal cabeça de uma das ligas de maior sucesso da Europa sabe bem o que é preciso acontecer.

Em visita ao Brasil para auxiliar no projeto de intercâmbio internacional proposto pela CBF, Javier Tebas, presidente de LALIGA, atendeu a ESPN com exclusividade e fez elogios ao futebol nacional e seu campeonato.

Na visão de Tebas, o Brasil tem no mínimo como o sexto melhor campeonato de futebol do mundo, mas precisa evoluir em alguns quesitos para entrar de vez em mercados que hoje não alcança.

“Mais do que um gigante adormecido, [vejo o Brasil como] um gigante que está acordado, mas que precisa de algumas decisões para se levantar da cama e poder andar”, iniciou Tebas.

“A primeira decisão, do fair play financeiro, é fundamental, existe um potencial para estar entre as três principais ligas do mundo. São dados muito objetivos de população, televisão, paixão. Se tudo for gerido bem, pode estar entre as principais do mundo. Já está entre a quarta, quinta ou sexta liga do mundo. Falta esse empurrão”, explicou.

Citado por Tebas como fundamental, o fair play financeiro virou regra da CBF em novembro de 2025, mas ainda engatinha no futebol brasileiro. Ao contrário da Espanha, em que nem mesmo os gigantes escapam. Há alguns anos, por exemplo, o Barcelona chegou a perder Lionel Messi por não conseguir enquadrá-lo dentro das exigências econômicas.

“Não sei se (o fair play na Espanha) é o mais rígido ou um dos mais rígidos (risos). É um fair play que temos feito os clubes cumprirem, o que é fundamental”, afirmou o dirigente.

“É importante o caminho que a CBF escolheu, porque é a base para um crescimento da competição profissional no Brasil. Se você não tem um fair play financeiro, não tem crescimento, tem mais dívidas e probabilidades de colapso financeiro”.

Na conversa com a ESPN, Javier Tebas também cutucou Florentino Pérez, presidente do Real Madrid, por conta do fracassado projeto da Superliga da Europa. O torneio, que competiria com a Champions League, visava atrair os maiores clubes do continente, mas naufragou oficialmente há alguns dias.

“A Superliga está morta, Florentino Pérez começou com um modelo, foi mudando, porque no fundo o que ele queria era o controle do futebol e segue querendo. Me preocupa a Superliga, mas também a mudança da Champions, se seguirmos esse caminho, é uma Superliga em câmera lenta, o Florentino a queria imediatamente. Temos que estar muito atentos”, finalizou.

Veja abaixo outras aspas de Javier Tebas à ESPN:

Rivalidade entre LALIGA e Premier League:

“O governo inglês entrou na Premier League e criou um órgão regulador porque está preocupado pelo fato de ter brigas econômicas importantíssimas. Não estamos preocupados. Nosso times (espanhóis) seguem sendo competitivos e ganhando muitas competições, chegando a muitas finais, não temos medo. Recentemente um estudo da Fifa mostrou que o Campeonato Espanhol é a competição que mais tem jogadores formados em categorias de base, mais de 20%, isso significa que não temos que comprar, já estamos produzindo em casa. Em segundo lugar, ganhamos a Eurocopa, 23 dos jogadores eram de LALIGA, ganhamos as Olimpíadas de Paris, temos material suficiente para estarmos preocupados. Antony foi comprado por milhares de euros, está fazendo grandes temporadas no Betis e foi comprado por 15 milhões. Gastamos o mesmo que a Bundesliga e somos competitivos”.

Questões envolvendo os chamados clubes-estado:

“Eu já notei uma evolução, há alguns anos denunciamos o City, PSG, primeiro na Uefa, foram condenados e depois absolvidos pelo CAS de maneira ‘estranha’. O mais importante é que as competições nacionais, seja a Ligue 1, Premier League, sejam conscientes. A Premier League é consciente da questão do City, já não se fala mais, está pendente de uma sanção de ‘apenas’ 117 infrações, são 10 anos. Se há uma vigilância e consciência de que as normas estão sendo cumpridas, os clubes-estado não devem nada”.

Futuro da arbitragem e do VAR:

“As controvérsias de arbitragem acontecem em todos os países. É um mau mundial e na Espanha se sobressai porque temos os dois maiores clubes do mundo, e os dois estão nesse tema de arbitragem. A arbitragem pode melhorar, a qualidade pode melhorar. Sempre se pode melhorar. Queremos que a seleção dos árbitros melhore, os melhores têm que estar. Queria falar do VAR, temos que mudar o modelo, temos isso na terceira divisão espanhola, que é um modelo em que os treinadores e os times têm a possibilidade de pedir duas vezes por jogo a intervenção do VAR. Sim (sou favorável). O capitão voltará a ser um ator importante, porque o árbitro hoje não está em campo, está acima (na arquibancada)”.

Carlo Ancelotti à frente da seleção brasileira:

“Ele dá uma vantagem, tem uma experiência mental terrível, é um homem que gere bem um time. Esse fator de saber manejar o time, à parte dos seus conhecimentos, é o que se destacou nos times por onde ele passou. Com a seleção, vai poder fazer um grande trabalho”.



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