Sorteio da Sul-Americana: o que você precisa saber sobre cada possível rival dos brasileiros na fase de grupos
Se na CONMEBOL Libertadores o Brasil tem seis representantes, no sorteio da CONMEBOL Sul-Americana, que também acontece nesta quinta-feira (19), com transmissão do plano premium do Disney+ e no YouTube da ESPN, a partir das 20h (de Brasília), são sete times.
Atlético-MG, Grêmio, Santos e São Paulo estão no Pote 1, enquanto Red Bull Bragantino e Vasco estão no 2 e o Botafogo, que veio para a competição após cair na terceira fase da Libertadores, é um dos oito representantes do Pote 4.
Além dos brasileiros, com exceção do Bragantino, todos eles campeões de Libertadores, outros gigantes do continente esse ano estão na Sul-Americana, casos de River Plate e Racing. A seguir, o ESPN.com.br apresenta cada uma das equipes e mostra o que esperar caso eles estejam no caminho dos brasileiros.
Pote 1
Vice-campeão na última temporada, perdendo a final para o Lanús nos pênaltis, o Atlético inicia a campanha como um dos elencos mais fortes do torneio, e segue procurando mais um título continental para sua galeria de taças.
O técnico é novo, Eduardo Domínguez, com experiência em Sul-Americana dos tempos em que comandava o Estudiantes. Dentro de campo, a referência segue sendo Hulk, que apesar da idade avançada, continua atuando em alto nível. O goleiro Everson é outra referência do time, que tem mais várias estrelas que tentam voltar ao ápice.
Sempre uma potência quando falamos de torneios de mata-mata, o Grêmio se reforçou bastante para tentar o primeiro título da Sul-Americana de sua história. A começar por fora de campo, com a chegada do técnico português Luís Castro.
Entre os jogadores, o multicampeão Weverton chegou para ser a confiança embaixo das traves, enquanto José Enamorado, que brilhou no Junior, foi outra grande contratação. Destaque também para o volante Arthur e o atacante Carlos Vinícius, artilheiro do Brasil neste início de temporada.
Uma equipe que em seu elenco conta com Neymar, Gabigol, Lucas Veríssimo, Willian Arão e Rony inicia qualquer torneio com chances de título, visto todo o talento e currículo de todos eles. Porém, também é certo dizer que nenhum deles parece viver o auge da carreira.
A situação de Juan Pablo Vojvoda parece cada vez mais delicada, visto o início ruim no Brasileirão. A Sul-Americana, taça que Neymar ainda não conquistou na carreira, pode servir de tábua de salvação para todos eles. E, ao menos na fase inicial, ajudar o craque a realizar o sonho de disputar mais uma Copa do Mundo.
Longe de viver seus melhores dias, principalmente fora de campo, com problemas financeiros, o São Paulo é sempre uma força em torneios continentais, e é o time brasileiro com mais taças desse tipo. Se nos últimos anos o time disputou a Libertadores, mas não passou das quartas de final, um possível bi da a Sul-Americana pode ser um objetivo mais fácil para que a torcida volte a comemorar um título internacional.
As referências do time seguem as mesmas dos últimos anos, como Lucas Moura, Arboleda, Luciano e Calleri, a maioria deles remanescente desde a campanha do vice, em 2022. Outro que aparece como candidato a estrela é Marcos Antônio, apelidado de “motorzinho”.
A cada Libertadores recente, todo mundo tratava o River Plate como o grande candidato a tirar o título dos brasileiros. Porém, o time argentino sempre decepcionou. E foi pior ainda ao sequer conseguir se classificar para o torneio na atual edição. O que sobrou é disputar a Sul-Americana.
Passando por uma grande revolução, com a saída de Marcelo Gallardo e a chegada de Eduardo Coudet, o River nunca pode ser desprezado, até pelas várias estrelas no elenco, como Franco Armani, Marcos Acuña e Gonzalo Montiel, todos eles campeões do mundo com a Argentina em 2018. O jovem Kendry Páez, que chegou por empréstimo do Chelsea, caso reencontre o alto nível dos tempos de Independiente del Valle, é candidato a craque do torneio.
Outro que habitualmente está na Libertadores, e que foi semifinalista no ano passado, mas que esse ano teve que se contentar com a Sul-Americana. Na última vez que o time disputou o torneio, em 2024, foi campeão, com uma campanha em que deixou vários brasileiros pelo caminho.
Dentro de campo, a grande referência segue sendo o atacante Adrián Martínez, artilheiro histórico da equipe. Gastón Martirena e Matías Zaracho são outros jogadores de destaque. O comando segue com o experiente e folclórico Gustavo Costas.
Time paraguaio com mais sucesso na Libertadores, com três taças conquistadas, o Olimpia vive uma temporada atípica ao estar apenas na segunda competição mais importante do continente.
Em seu elenco, vários velhos conhecidos do torcedor brasileiro, como Mateo Gamarra, ex-Athletico-PR, Raúl Cáceres, que estava no Vitória, Rúben Lezcano, que chegou do Fluminense, e Derlis González, que já jogou no Santos. O início de temporada é bom, com o time sendo líder disparado do Campeonato Paraguaio.
O América de Cali é o único representante do futebol colombiano no Pote 1, e tenta provar a sua força em uma competição continental. O time é recheado de jogadores experientes, como o goleiro Jean, ex-São Paulo e Vitória. Na zaga, destaque para Daniel Bocanegra, que durante muitos anos foi da seleção colombiana.
O ataque tem nomes como Dylan Borrero, ex-Fortaleza, e contratação mais cara da última janela, Jhon Murillo, Jan Lucumi e o experiente Adrián Ramos, de 40 anos.
Pote 2
O time do interior paulista já foi vice-campeão da Sul-Americana e disputou a Libertadores em temporadas recentes. Isso já o coloca como um candidato ao título, mas falta um algo a mais. Desde que passou a ser bancada pela Red Bull, o time ainda não conquistou taças, e o caminho continental pode ser essa virada de chave.
O elenco é recheado, com atletas experientes como Cleiton, Pedro Henrique, Gabriel e Eduardo Sasha, e jovens promessas, muitas delas contratadas de times bem mais tradicionais no Brasil, casos de Rodriguinho, que chegou do São Paulo, e Rômulo, comprado do Palmeiras.
Mais um time que investiu pesado para tentar encerrar um incômodo jejum de títulos. Apesar de contratações de impacto, como Marino Hinestroza, Brenner e Claudio Spinelli, dá para dizer que o principal reforço do Vasco para 2026 foi o técnico Renato Gaúcho, que já chegou conseguindo bons resultados no Brasileirão.
O comandante é campeão da Libertadores e sempre faz boas campanhas em torneios de mata-mata, principalmente os continentais. A Sul-Americana ainda não está em seu currículo. Será que chegou a hora?
O San Lorenzo é um dos mais tradicionais times argentinos, mas o momento está longe de ser dos melhores, com uma grave crise financeira. Até por isso, algumas referências do elenco foram embora.
A tentativa de restruturação é liderada pelo técnico Damián Ayude e tem nomes de peso, como o experiente Ezequiel Cerutti, Luciano Vietto, que trás péssimas lembranças ao torcedor do Flamengo, e o colombiano Diego Herazo.
Um dos representantes chileno na Sul-Americana é o Palestino, que nos últimos anos sempre figura nas principais competições do continente, pelo bom trabalho feito na diretoria.
O elenco é recheado de atletas experientes, mas em sua maioria desconhecidos. Uma das caras novas é o atacante Nelson da Silva, com nacionalidade chilena e também brasileira. O experiente Bryan Carrasco é o maior ídolo da torcida e capitão do time.
Se Neymar é indiscutivelmente a maior estrela da Sul-Americana, o Millonarios tem outro nome bastante relevante, o atacante Radamel Falcao García, com carreira em clubes como Monaco, Atlético de Madrid e Manchester United. Aos 40 anos, ele dá os últimos passos na carreira no clube de coração.
O técnico é outro velho conhecido, o argentino Fabián Bustos, que passou pelo Brasil sem deixar grandes saudades nos torcedores de Santos e América-MG.
12 vezes campeão do Campeonato Venezuelano, o Caracas é mais um daqueles times que anualmente está em competições continentais. Dessa vez, a realidade da equipe é disputar a Sul-Americana, e o momento não é dos melhores, com início bastante ruim na liga nacional desta temporada.
O elenco tem um grande misto entre promessas e jogadores bem experientes, mas o nome que mais chama atenção é o do técnico Fernando Aristeguieta, de apenas 33 anos, mas que comanda o Caracas desde 2024.
Uma vez campeão da Sul-Americana, o Cienciano tenta retomar o protagonismo que já teve outrora. Para isso, vários jogadores foram contratados para 2026, muitos deles com histórico de disputar grandes competições.
Por isso, Matías Succar chegou do Alianza Lima, Álvaro Rojas foi contratado do Universitario e Henry Caparó veio do Sporting Cristal. Carlos Garcés, de 36 anos, segue sendo a referência no ataque.
O Tigre já foi vice-campeão da Sul-Americana, perdendo a final para o São Paulo, mas nunca mais voltou a ter grande presença em torneios continentais. O início de ano é bom, com o time aparecendo nas primeiras colocações do Campeonato Argentino.
Para o elenco, o técnico Diego Dabove, em sua segunda temporada, apostou em atletas vindos dos maiores times argentinos, com jogadores contratados do Rosario Central, Vélez, Independiente, Boca Juniors e River. O mais famoso certamente é Gonzalo Pity Martínez, que já fez até mesmo gol de título de Libertadores.
Pote 3
Provavelmente o mais estrangeiro dos times chilenos, com vários jogadores argentinos no elenco, a maioria deles contratado recentemente, indicados pelo técnico Gustavo Lema.
O centroavante uruguaio Diego Coelho foi a principal contratação da última janela, e deve marcar seus golzinhos na Sul-Americana.
Sediado na cidade de Santa Cruz de La Sierra, o Blooming, ao contrário da maioria dos clubes bolivianos, não tem a seu favor o fator altitude. Talvez por isso o time não tem os mesmos resultados dos principais rivais.
O técnico Mauricio Soria, há algum tempo no cargo, vem tentando internacionalizar o time, e na atual temporada apostou na chegada de quatro colombianos, sendo o mais famoso deles o centroavante Bayron Garcés.
Outrora desconhecido, o Puerto Cabello vem se tornando habitual em competições continentais, já que costuma aparecer entre os líderes do Campeonato Venezuelano a cada ano.
Os nomes que mais chamam atenção no elenco são o nigeriano Musa Isah e o português João Barros, contratado recentemente. Edwuin Pernía, outra novidade, é o principal nome do ataque.
Se a última temporada do Boston River foi boa, a atual é péssima, com o time estando na penúltima colocação do Campeonato Uruguaio. O técnico Israel Damonte, contratado no fim de 2025, já corre riscos no cargo.
O elenco tem poucos jogadores com mais de 30 anos, e tem média de apenas 24 anos. Das várias contratações recentes, chamam atenção as promessas Lautaro Vázquez e Gonzalo Reyna, chegados por empréstimo de Nacional e Racing, respectivamente.
Integrante do Grupo City, o Montevideo City Torque tem uma metodologia um pouco diferente de times como Manchester City e Bahia, e na atual temporada não gastou sequer um centavo em contratações.
Em meio a vários jovens, muitos deles com menos de 20 anos, alguns dos poucos experientes são o meia Gonzalo Montes e o capitão Gary Kagelmacher.
O Deportivo Cuenca tenta despontar como a quarta ou quinta força do futebol equatoriano. E para isso, o investimento foi em atletas que jogavam em LDU e Independiente Del Valle. Romario Ibarra, com carreira na seleção, chegou para ser o camisa 10.
O ataque é formado por quatro argentinos, sendo Lucas Mancinello, de 36 anos, a grande referência. Não à toa, costuma ser o capitão do time.
O Independiente Petrolero está apenas em seu segundo ano na elite do futebol boliviano, e já está em uma competição continental. O nome mais famoso do elenco é o do atacante Jonatan Cristaldo, que teve bons momentos em sua passagem pelo Palmeiras.
Além disso, destaque para três brasileiros: o atacante Rafael Lutkowski, e os meias Willie e Thomaz, que teve uma passagem apagada pelo São Paulo, mas jogou também em vários clubes, como Operário, Paysandu e Avaí.
Uma grande novidade em competições continentais, o Macará surpreendeu a todos ao conquistar a vaga. Muito do mérito é do experiente técnico Guillermo Sanguinetti.
Dos jogadores, vários deles estrangeiros, o que parece mais promissor é Mateo Viera, de apenas 21 anos e que chama atenção de equipes mais poderosas.
Pote 4
Eliminado na fase prévia da Libertadores pelo Barcelona-EQU, o Botafogo acabou rebaixado para o Pote 4 da Sul-Americana. Também por isso, deve ter um caminho um pouco mais complicado, ao menos nas fases iniciais.
Nada que pareça um “bicho de sete cabeças” para um time com taças recentes e que tem jogadores de alto nível, como Danilo, recentemente convocado para a seleção brasileira, e Alex Telles, que tem até disputa de Copa do Mundo em seu currículo.
Mais um time que aposta em treinadores argentinos, o Alianza Atlético tem um elenco recheado de jogadores jovens, muitos deles promissores.
Se o dinheiro para contratações é escasso, a solução foi conseguir empréstimos de jovens em busca de mais espaço, e atletas que estavam livres no mercado. O argentino Germán Díaz, ex-Racing, mal chegou e já é o dono da camisa 10.
O Barracas Central garantiu a sua vaga na Sul-Americana graças ao título do Lanús no ano passado. O experiente técnico Rubén Insúa, ídolo do San Lorenzo, tem um elenco com vários jogadores famosos.
A começar por Fernando Tobio, zagueiro que passou pelo Palmeiras na última década. No ataque, a aposta é em Lucas Gamba, atacante artilheiro em sua passagem pelo Unión. Na atual janela, chegaram três atletas do Boca, com destaque para Gonzalo Morales, de 23 anos, contratado por empréstimo.
O Deportivo Riestra é um time pequeno da Argentina, e seu estádio, o Guillermo Laza, tem capacidade para menos de 10 mil pessoas. Agora imagine a festa ao conquistar uma vaga na Sul-Americana, ainda mais pelo fato dela ter vindo com o técnico Gustravo Benítez, de 40 anos e ainda em seu início de carreira.
Das apostas para a atual temporada, chama atenção as quatro contratações vindas do Almirante Brown, da segunda divisão, e ainda o nigeriano Johnson Nsumoh.
A equipe do Recoleta foi, durante muitos anos, amadora, e possui títulos apenas em divisões menores. Para ser ter ideia, em 2022, o time estava na terceira divisão. Agora na Sul-Americana, a aposta foi em nomes conhecidos.
Pablo Zeballos, por exemplo, abandonou a aposentadoria para disputar a atual temporada. Já no meio-campo, nomes bastante conhecidos são os de Iván Piris e Marcelo Cañete, ambos com passagens pelo São Paulo vários anos atrás.
O Carabobo ganhou um dos turnos do Campeonato Venezuelano no ano passado, e mesmo assim disputará a Sul-Americana. Outrora tratado com deboche por conta do nome, o time está cada vez mais estabelecido como um dos mais fortes de seu país.
O elenco conta com jogadores da seleção, e se destaca por apostas ousadas, como por exemplo Jaime Moreno, atacante da Nicarágua. Eric Ramírez, recentemente repatriado do Dínamo de Kiev, é o jogador mais famoso do elenco.
Algoz do Bahia na segunda fase prévia da Libertadors, o O’Higgins acabou eliminado na fase seguinte. O time é jovem, com média de 25 anos, e não tem grandes nomes.
O mais famoso do público brasileiro é Martín Sarrafiore, que jogou em Vasco e Internacional, e está no O’Higgins desde 2024. Thiago Cecino, contratado do Vélez, é a grande aposta para a atual temporada.
O desconhecido Juventud de Las Piedras disputou as fases prévias da Libertadores e por pouco não se garantiu nos grupos. Com a eliminação, vai jogar a Sul-Americana. Já algo bem grandioso para alguém que vive o momento mais relevante de sua história.
No elenco, o nome mais famoso é o do defensor Martín Cáceres, que por mais de uma década foi figura frequente na seleção uruguaia. Alejo Cruz, ex-Peñarol, e Renzo Sánchez, que estava no Nacional, são grandes apostas do time após deixarem os gigantes do país.